Marte
O Planeta Vermelho que Pode Ter Abrigado Vida
Rovers, helicópteros, amostras de solo e um rio seco de 4 bilhões de anos. O que exatamente estamos procurando em Marte — e o que já encontramos?
1 Por Que Marte É Vermelho
A cor característica de Marte tem uma explicação química simples: óxido de ferro. A superfície é coberta por poeira rica em óxido de ferro (Fe₂O₃) — a mesma substância que chamamos de ferrugem na Terra. Há bilhões de anos, quando Marte tinha atmosfera mais densa e possivelmente oceanos, o oxigênio reage com o ferro do solo, oxidando-o. Com o passar do tempo, a atmosfera se dissipou, mas a ferrugem ficou.[1]
Essa poeira avermelhada também explica por que o céu marciano, ao contrário do azul terrestre, tem uma tonalidade rosada ou acastanhada — as partículas finas de óxido de ferro suspensas na fina atmosfera dispersam a luz de forma diferente da nossa.[1]

2 O Monte Mais Alto do Sistema Solar
Marte abriga o Monte Olimpo (Olympus Mons), o maior vulcão do Sistema Solar — e possivelmente de toda a história geológica conhecida. Com 21,9 km de altura e cerca de 600 km de diâmetro, é quase três vezes mais alto que o Monte Everest e tão largo que seus flancos ultrapassam o horizonte visível a partir do cume.[2]
Para comparação: Everest tem 8,8 km de altitude. Olympus Mons é tão grande que, se você estivesse no topo, não conseguiria ver suas bordas — o planeta se curva antes delas. Ainda que provavelmente inativo hoje, o vulcão foi formado ao longo de centenas de milhões de anos por erupções contínuas num ponto fixo da crosta — diferentemente da Terra, onde as placas tectônicas se movem sobre os pontos quentes, criando cadeias de vulcões em vez de um único gigante.[2]

3 Água em Marte: Passado, Presente e Subterrâneo
Evidências de que Marte teve água líquida abundante em seu passado são hoje esmagadoras. O rover Curiosity da NASA atravessou o leito seco de um antigo lago que existiu por pelo menos 3 bilhões de anos. O Perseverance aterrizou na cratera Jezero — o delta de um rio marciano extinto há bilhões de anos — precisamente para coletar amostras do solo que possam preservar biomarcadores de vida microbiana passada.[3]
Quanto ao presente: há água em Marte, mas sob forma de gelo. Enormes calotas polares de gelo de água e CO₂ cobrem os polos. Sob a superfície, dados do radar MARSIS da sonda Mars Express identificaram o que parece ser um lago subterrâneo de água salgada líquida com cerca de 20 km de diâmetro na região polar sul — publicado em 2018 na revista Science. Se confirmado, esse é um dos ambientes mais candidatos à vida microbiana em Marte hoje.[3]

4 Ingenuity: O Primeiro Voo em Outro Planeta
Em abril de 2021, o helicóptero Ingenuity decolou da superfície marciana e realizou o primeiro voo motorizado da história em outro planeta. A missão era para ser um teste tecnológico de apenas 5 voos. O Ingenuity completou mais de 70 voos antes de encerrar a missão em janeiro de 2024, após danificar uma pá do rotor num pouso difícil.[4]
Voar em Marte é um desafio enorme: a atmosfera do planeta tem apenas 1% da densidade da terrestre, o que exige hélices girando a 2.400 rpm — muito mais rápido que qualquer helicóptero terrestre. O sucesso do Ingenuity abriu o caminho para futuras aeronaves marcianas, incluindo o Dragonfly da NASA, já aprovado para explorar Titã, lua de Saturno.[4]

5 Fobos: A Lua em Colapso
Marte tem duas pequenas luas — Fobos e Deimos. Fobos é a mais incomum: orbita Marte a apenas 6.000 km da superfície, mais perto do que qualquer outra lua conhecida em relação ao seu planeta. E está se aproximando.
A cada 100 anos, Fobos se move cerca de 1,8 metros em direção a Marte. Em aproximadamente 50 milhões de anos, as forças de maré vão despedaçar a lua antes que ela chegue a pousar — formando um anel de detritos ao redor de Marte.[1] Por ironia, Marte que não tem anel hoje terá um no futuro — formado pelos destroços de sua própria lua.

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